Como é do conhecimento geral, o Dia Mundial do Coração é uma promoção, a nível nacional, da Fundação Portuguesa de Cardiologia, em parceria com o Instituto do Desporto de Portugal, e a colaboração da Direcção-Geral de Saúde, do Instituto Português da Juventude, do Inatel, da Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura Recreio e Desporto e de outras entidades, e pretende mobilizar a população portuguesa para os cuidados a ter na prevenção das doenças do coração e na participação em actividades físicas e desportivas regulares na luta contra o sedentarismo, a obesidade, o stresse, a diabetes e a hipertensão, causas remotas das doenças cardiovasculares e acidentes cerebrovasculares.
A propósito, transcrevemos do «Correio da Manhã», com a devida vénia, declarações de vários especialistas, entre os quais o Prof. Dr. Manuel Carrageta, presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia e do Instituto de Cardiologia Preventiva de Almada, e director do Serviço de Cardiologia do Hospital Garcia de Orta, a propósito do Dia Mundial do Coração. «Todos os anos 40 mil corações deixam de bater em Portugal devido a doenças cardiovasculares. Só os acidentes vasculares cerebrais (AVC) são causa de morte de 20 mil pessoas. Os enfartes do miocárdio matam dez mil. Outros problemas cardíacos são fatais para dez mil.
Estatísticas negras que marcam hoje o Dia Mundial do Coração e que levam os especialistas a alertarem para a prevenção das doenças cardiovasculares e para o risco de enfarte.
Um alerta importante porque "Portugal é o país europeu com o mais elevado número de AVC por ano." Quem o diz é Manuel Carrageta, presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia.
"A incidência do AVC em Portugal mais do que duplica os números de Espanha. As razões devem-se ao elevado consumo de sal da dieta, que contribui grandemente para o problema", disse ao CM.
O excesso de sal provoca a hipertensão arterial – principal factor de risco do AVC – e causa danos na parede das artérias, agredindo-as.
Mas o excesso de sal não é o único factor de risco. O médico de Saúde Pública Luís Negrão, da Fundação Portuguesa de Cardiologia, adianta ao CM que o excesso de peso e a obesidade também contribuem para o aparecimento de enfartes e de AVC.
Uma das formas para combater o excesso de peso é praticar exercício físico. O médico sugere, por isso, que as pessoas escolham uma actividade que lhes agrade, como dançar ou simplesmente caminhar.
Luís Sardinha, do Instituto do Desporto de Portugal, apela igualmente ao exercício, lembrando que 35 por cento da mortalidade está associada ao sedentarismo, a doença isquémica do coração, as doenças cerebrovasculares e à diabetes. "Se reduzirmos a taxa do sedentarismo em dez por cento, evitamos 700 mortes associadas a este conjunto de doenças", diz.»
